CCJ do Senado deve votar PEC que amplia autonomia do Banco Central na semana que vem

CCJ do Senado deve votar PEC que amplia autonomia do Banco Central na semana que vem

CCJ do Senado deve votar PEC que amplia autonomia do Banco Central na semana que vem

A CCJ do Senado se prepara para votar, na próxima quarta-feira 20, o substitutivo da PEC que amplia a autonomia do Banco Central. O texto relatado pelo senador tucano Plínio Valério (AM), que estava emperrado desde o ano passado, é o terceiro item da pauta do colegiado.

Na última quinta-feira, o parlamentar apresentou novo parecer para blindar o Pix. Atendendo a pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), o novo relatório agora possui uma cláusula que pretende blindar o sistema de pagamentos de qualquer interferência externa, impedindo que o sistema seja transferido ou cedido a outros entes, públicos ou privados.

Esta seria uma forma de responder à pressão do governo dos Estados Unidos, que diz ver no Pix uma “prática desleal” e uma ameaça à competitividade de empresas americanas do setor de pagamentos.

Desde 2021, o Banco Central tem autonomia operacional. Significa dizer que o BC não é mais vinculado ao Ministério da Fazenda, como era no passado. Juridicamente, o órgão é uma autarquia pública estatutária, que tem uma natureza especial.

Uma das consequências práticas da autonomia é fazer com que o mandato de quatro anos do presidente do órgão não coincida com o mandato do Presidente da República, evitando, assim, interferências políticas no banco.

A proposta em discussão na CCJ do Senado, portanto, pretende ampliar a autonomia do BC, de modo que o Congresso Nacional fique responsável por supervisionar a gestão administrativa, contábil, orçamentária, financeira, patrimonial e operacional do BC. Pelo texto, o órgão também passaria a ter poder de polícia.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, é entusiasta da proposta e se reuniu diversas vezes com senadores para discutir o tema, contrariando a expectativa do Palácio do Planalto. Como mostrou CartaCapital, o chefe da instituição promoveu um café da manhã com senadores em maio para defender a aprovação do texto.

Aos interlocutores, Galípolo disse que a aprovação da PEC é de suma importância para o BC gerir seus próprios recursos. O governo Lula (PT), contudo, esperava que a troca no comando da autoridade monetária, no início deste ano, ajudasse a enterrar de vez a proposta, uma das principais bandeiras do ex-presidente Roberto Campos Neto.

Com a inclusão do trecho sobre o Pix, a expectativa entre parlamentares é que não haja orientação para votar contra o texto. Integrantes da gestão petista, porém, temem que a aprovação da matéria crie um efeito cascata, incentivando outras agências reguladoras a buscar mudanças semelhantes em seus modelos orçamentários.

Um dos pontos que ainda geram desconforto entre governistas é sobre o registro de trabalho dos servidores. Hoje, os trabalhadores estão no chamado Regime Jurídico Único. Com a proposta, passarão a ser regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT.  Outro motivo de divergência é o trecho que prevê que o orçamento da instituição estará sujeito à apreciação do Conselho Monetário Nacional e, depois, pelo Senado.


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