Moraes decreta prisão domiciliar de Bolsonaro por descumprimento de medidas cautelares

Moraes decreta prisão domiciliar de Bolsonaro por descumprimento de medidas cautelares

Moraes decreta prisão domiciliar de Bolsonaro por descumprimento de medidas cautelares

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou nesta segunda-feira (04) a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por descumprimento de medidas cautelares. A decisão foi tomada um dia após manifestações em apoio ao ex-presidente em diversas cidades do país.

Segundo a “GloboNews”, a Polícia Federal esteve na casa de Bolsonaro para cumprir a ordem judicial. O ex-presidente já havia sido submetido a restrições anteriores, como uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar e proibição de acesso às redes sociais.

Moraes justificou a prisão afirmando que Bolsonaro violou as medidas cautelares ao divulgar conteúdo por meio das redes sociais de aliados — incluindo os perfis de seus três filhos parlamentares. Segundo o ministro, as publicações tinham “claro conteúdo de incentivo e instigação a ataques ao Supremo Tribunal Federal e apoio ostensivo à intervenção estrangeira no Poder Judiciário brasileiro”.

“Não há dúvidas de que houve o descumprimento da medida cautelar imposta a Jair Messias Bolsonaro”, escreveu Moraes. Ele afirmou ainda que o ex-presidente burlou deliberadamente a restrição, mesmo sem usar diretamente seus próprios perfis.

A nova decisão determina uso de tornozeleira eletrônica, proibição de visitas (exceto de familiares próximos e advogados) e o recolhimento de todos os celulares presentes na residência.

Operação da PF

Em 18 de julho, agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão na casa do ex-presidente e no diretório do Partido Liberal, em Brasília. Durante a ação, foram encontrados cerca de US$ 14 mil e R$ 8 mil em espécie na residência de Bolsonaro.

Além da tornozeleira eletrônica, o ex-presidente também teve o direito de comunicação limitado: está proibido de manter contato com outros investigados, diplomatas estrangeiros, embaixadores e com o próprio filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). O ex-presidente ainda está sujeito a recolhimento domiciliar das 19h às 7h, inclusive aos fins de semana.

Descumprimento das medidas

Em 22 de julho, Moraes intimou a defesa de Bolsonaro a explicar o possível descumprimento das medidas cautelares impostas na sexta-feira anterior. A advertência foi feita após o ex-presidente participar de uma reunião com parlamentares do PL, conversar com jornalistas e exibir publicamente a tornozeleira eletrônica.

“Sob pena de decretação imediata da prisão”, escreveu Moraes, ao destacar que Bolsonaro está proibido de aparecer em vídeos, áudios ou transcrições publicados nas redes sociais — mesmo que por meio de terceiros.

Bolsonaro aparece com tornozeleira eletrônica em foto publicada pelo deputado André Fernandes – Foto: Reprodução/ Redes sociais

Tentativa de golpe

No dia 18, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou uma denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusando-o de ser o líder de uma tentativa de golpe de Estado em 2022. De acordo com a PGR, Bolsonaro e outros 33 envolvidos, incluindo figuras chave do seu governo, tentaram derrubar a democracia brasileira e desestabilizar as instituições do país.

Ele foi acusado de liderar uma organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado à União e deterioração de patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.

Repercussão internacional

O caso ganhou repercussão internacional após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar apoio público a Bolsonaro e criticar duramente o sistema judicial brasileiro. Em carta divulgada na quinta-feira (17), Trump classificou a Justiça do Brasil como “injusta” e pediu o fim do que chamou de “regime de censura”.

Além da declaração, o governo americano impôs sanções econômicas ao Brasil, incluindo uma tarifa de 50% sobre exportações brasileiras e a abertura de uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais.


Comparttilha

Artigos Relacionados