
O governo dos Estados Unidos deve entrar em paralisação nesta quarta-feira (1º) após o Congresso não aprovar um projeto orçamentário para estender o financiamento federal. Com isso, uma série de serviços públicos será suspensa, e funcionários federais devem entrar em licença compulsória ou trabalharão sem receber salário. No centro do impasse que resultou na paralisação está a saúde. Os democratas dizem que só aprovarão o orçamento caso programas de benefícios de saúde que estão prestes a expirar sejam prolongados. Já os republicanos de Trump insistem que saúde e o financiamento federal devem ser tratados como questões separadas. Eles acusam os democratas de usar o orçamento como moeda de troca para atender demandas próprias antes das eleições legislativas de 2026, que definirão o controle do Congresso. Na segunda-feira (29), lideranças democratas e republicanas se reuniram com o presidente Donald Trump na Casa Branca para negociar uma saída. No entanto, as conversas não avançaram, e ambos passaram a se acusar de forçar o governo a uma paralisação. A crise ganhou novos contornos na terça-feira (30) com as ameaças do presidente. Trump afirmou que poderia demitir mais servidores e encerrar programas ligados aos democratas caso o governo fosse paralisado. “Vamos demitir muita gente. E eles serão democratas”, disse. Na noite de terça-feira, o Senado tentou aprovar uma última proposta. No entanto, o projeto só conseguiu 55 dos 60 votos necessários. Além disso, o texto ainda precisaria ser aprovado pela Câmara antes de ser enviado para a sanção de Trump. Senadores devem se reunir novamente nesta quarta-feira pela manhã para discutir o orçamento federal. Não há um prazo para que o texto seja votado e aprovado. Com a paralisação em vigor, apenas serviços considerados essenciais continuam funcionando, como segurança pública, fiscalização de fronteiras e parte do controle aéreo. Veja os impactos mais abaixo. A última paralisação havia ocorrido entre 2018 e 2019, durante o primeiro mandato de Trump, e durou 35 dias. Na época, o impasse foi provocado pela proposta do presidente de financiar um muro na fronteira com o México. O custo estimado da crise foi de US$ 3 bilhões, ou 0,02% do PIB. Impactos Aviões estacionados no aeroporto de LaGuardia, em Nova York Reuters Com o governo impedido de gastar, milhares de servidores públicos serão colocados em licença, enquanto outros, que trabalham em serviços essenciais, podem ter os salários suspensos. A remuneração será paga de forma retroativa quando o orçamento for normalizado. O “shutdown” também pode afetar turistas. Companhias aéreas alertam que atrasos em voos são prováveis nos próximos dias. A Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) informou que 11 mil funcionários serão enviados para casa. Durante a paralisação, 13 mil controladores de tráfego aéreo terão de continuar trabalhando sem receber salário. Atualmente, os EUA enfrentam déficit de cerca de 3.800 controladores. O shutdown de 2019 provocou filas maiores nos pontos de controle dos aeroportos. Na época, as autoridades reduziram o tráfego aéreo em Nova York. Ainda no setor do turismo, parques nacionais, museus e zoológicos federais também podem fechar ou ter serviços internos suspensos. Para os moradores, alguns serviços continuarão funcionando, como o pagamento de aposentadorias e benefícios de invalidez, além de programas de saúde. O Serviço Postal seguirá operando, já que não depende do orçamento do Congresso. Programas de assistência alimentar funcionando podem continuar enquanto houver recursos. Tribunais federais e a Receita Federal podem ter operações limitadas se a paralisação se prolongar. Em relação à segurança, agentes do FBI, da Guarda Nacional e de outras forças federais continuarão trabalhando, assim como patrulhas de fronteira e fiscalização de imigração. No Pentágono, mais da metade dos 742 mil funcionários civis será afastada. Visitas de chefes de Estado ou autoridades estrangeiras previstas durante a paralisação devem ser canceladas. Cerca de 2 milhões de militares americanos permanecerão em seus postos. Contratos fechados antes do início do shutdown seguem válidos, e o Departamento de Guerra poderá solicitar suprimentos para garantir a segurança nacional. A paralisação também pode atrasar a divulgação de dados econômicos importantes, afetando políticas públicas e investidores, além de limitar empréstimos e serviços para pequenas empresas. Batalha política O Capitólio dos EUA em 30 de setembro de 2025 Alex Wroblewski/AFP O último shutdown do governo dos Estados Unidos durou 35 dias, entre 2018 e 2019. O centro da disputa foi um pedido de Trump para financiar a construção de um muro na fronteira com o México. Na ocasião, a paralisação custou US$ 3 bilhões à economia americana, o equivalente a 0,02% do PIB. Desta vez, o ponto de atrito é a saúde. Os democratas dizem que só aprovarão o orçamento caso programas de benefícios de saúde que estão prestes a expirar sejam prolongados. Já os republicanos de Trump insistem que saúde e orçamento devem ser tratados como questões separadas. “Isso não faz nada, absolutamente nada para resolver a maior crise de saúde da América”, disse o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, ao pedir que colegas rejeitem o projeto de orçamento de Trump. “A determinação da extrema esquerda de se opor a tudo o que o presidente Trump disse ou fez não é um bom motivo para submeter o povo americano à dor de uma paralisação do governo”, disse o senador John Thune. VÍDEOS: mais assistidos do g1