
Megaoperação mira esquema bilionário do PCC Investigação do Ministério Público de São Paulo revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) atuava na importação irregular de produtos químicos destinados à adulteração de combustíveis comercializados aos consumidores. A Megaoperação é a junção de três operações: Carbono Oculto, do MP, e Quasar e Tank, da Polícia Federal. Ao todo, estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão em aproximadamente 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas. Apenas em um edifício da Faria Lima, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão. Nas ações, policiais recolheram documentos e computadores em empresas, corretoras e fundos de investimento, incluindo fintechs. As principais empresas alvo da operação são: Grupo Aster/Copape, donos de usinas, formuladoras, distribuidoras e rede de postos de combustíveis usada pela organização criminosa; BK Bank, fintech financeira utilizada para movimentar dinheiro por meio de contas bolsão não rastreáveis; Reag, fundo de investimento usado na compra de empresas, usinas e para blindagem do patrimônio dos envolvidos. Entenda abaixo o que fazem as fintechs Grupo Aster/Copape A Copape é formuladora que adquire correntes de petróleo já processadas e as mistura para produzir gasolina e diesel. Já a Aster é distribuidora de combustíveis; Ambas as empresas já foram alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo por fraudes fiscais e ecorreram à Justiça Federal do Distrito Federal e ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, para tentar recuperar suas licenças de operação; Em 2022, o MP-SP arquivou a ação sobre irregularidades fiscais da Copape, mas a Secretaria da Fazenda de São Paulo aplicou multas bilionárias que ultrapassaram R$ 2 bilhões; As empresas pertencem a Mohamad Hussein Mourad e Renato Steinle Camargo. Mohamad adquiriu as duas em 2020 por R$ 52 milhões; BK Bank Fundado em 2015, o BK Bank é uma instituição financeira brasileira especializada em soluções digitais para pessoas físicas e jurídicas. Inicialmente focado em benefícios corporativos como vale-refeição; A instituição também oferece bancária digital com funcionalidades como transferências, pagamentos, depósitos, geração de boletos e gestão de cartões pré-pagos; Entre meios de pagamento, oferta máquinas de cartão e soluções para e-commerce. Reag Uma das maiores gestoras independentes do Brasil, a Reag possui R$ 299 bilhões sob gestão, segundo o site da empresa; Foi a primeira empresa de Wealth Management listada na B3, sob o ticker REAG3; Fundada em 2013, a empresa tem aproximadamente 130 profissionais que atuam em áreas como Crédito, Real Estate, Equity, Legal Claims e Special Situations; O portfólio da Reag inclui produtos de crédito estruturado como FIDC, CRI e Debêntures, além de FII, Fundos de Precatórios, Quanti, Multimercado e Renda Fixa. Como era o esquema de lavagem de dinheiro com fintechs Segundo as investigações, o grupo usava um esquema sofisticado que, além de lavar dinheiro do crime, gerava altos lucros na cadeia de combustíveis. Centenas de empresas eram abertas para esconder a origem dos recursos. A fraude envolvia sonegação fiscal e adulteração de produtos. “Operações financeiras realizadas por meio de instituições de pagamento (fintechs), em vez de bancos tradicionais, dificultavam o rastreamento dos valores transacionados”, afirma a PF. Cerca de 1.000 postos de combustíveis vinculados ao grupo movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Uma das fintechs atuava como banco paralelo da organização e movimentou sozinha R$ 46 bilhões não rastreáveis no período. Parte significativa desses recursos sem lastro foi usada para adquirir usinas sucroalcooleiras e fortalecer o grupo, que incorporou à sua estrutura criminosa distribuidoras, transportadoras e postos de combustíveis. Os lucros e valores lavados eram então aplicados em fundos de investimento, com várias camadas de ocultação para esconder os verdadeiros beneficiários. Paralelamente às ações criminais, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo (CIRA/SP) adotará medidas judiciais para bloquear bens capazes de garantir a recuperação do tributo sonegado, cujo valor atualizado ultrapassa R$ 7 bilhões. Operação Tank *Matéria em atualização Operação do MP-SP com Receita e Polícia Federal TV Globo