
Tarifaço do Trump ao Brasil começa a valer na quarta-feira O dólar fechou em queda de 0,69% nesta segunda-feira (4), cotado a R$ 5,5063. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve alta de 0,40%, aos 132.971 pontos. Investidores aguardam a ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom) do Brasil e novos capítulos do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A ata do Copom está prevista para terça-feira. Na semana passada, o BC brasileiro decidiu manter seus juros inalterados, indicando incerteza com os efeitos do tarifaço. Com isso, a taxa básica brasileira (Selic) ficou em 15% ao ano. Já o início do tarifaço contra o Brasil está previsto para quarta-feira (6). Apesar da série de exceções anunciadas por Trump para as taxas de 50% sobre produtos brasileiros, ainda há expectativa sobre as negociações entre o governo brasileiro e americano. Por fim, o mercado aguarda dados econômicos no Brasil e no exterior, além de acompanhar balanços corporativos. Nesta segunda, o destaque ficou com o Caged, que indicou a criação de 166 mil vagas formais de trabalho em junho, uma queda de 19,2% em relação ao mesmo mês de 2024. A balança comercial de julho, prevista para amanhã, também vai mostrar reflexos do tarifaço. Veja abaixo como esses fatores impactam o mercado. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair Dólar a Acumulado da semana: -0,69%; Acumulado do mês: -1,69%; Acumulado do ano: -10,90%. Ibovespa Acumulado da semana: +0,40%; Acumulado do mês: -0,08%; Acumulado do ano: +10,55%. À espera do tarifaço A ordem executiva assinada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na última quinta-feira (31), marca um novo capítulo do tarifaço no cenário global. A medida amplia e altera as tarifas recíprocas aplicadas a diversos países, com alíquotas que agora variam de 10% a 41%. As novas taxas devem entrar em vigor a partir de 7 de agosto. Nesta segunda, a União Europeia anunciou que suspenderá, por seis meses, os dois pacotes de contramedidas às tarifas de Trump, após acordo com os EUA. Segundo o bloco, há expectativa de que novos decretos executivos sejam emitidos em breve. Mesmo com a ampliação das tarifas para diversos países, o Brasil continua sendo o mais afetado por Trump, com uma alíquota de 50%. Nesse caso, as taxas entram em vigor em 6 de agosto. Em seguida, entre os mais tarifados, estão a Síria (41%), Laos e Mianmar (Birmânia), ambos com taxas de 40%. Já os menos impactados foram o Reino Unido e as Ilhas Malvinas — os únicos, até agora, com alíquotas de 10%. De acordo com a Casa Branca, a tarifa de 50% contra o Brasil foi adotada em resposta a ações do governo brasileiro que representariam uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA”. Na sexta-feira (1º), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo federal não pretende adotar medidas com objetivo de retaliar os Estados Unidos, e que os próximos passos serão com foco em ações de proteção para “atenuar os efeitos” sobre a indústria e o agronegócio. Já nesta segunda, o Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou que o Brasil entre com uma consulta na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o tarifaço. “O conselho de ministros da Camex aprovou o Brasil entrar com a consulta na OMC. Então está aprovado pelo Conselho de Ministros da Camex, e agora o presidente Lula vai decidir como fazê-lo e quando fazê-lo”, disse o vice-presidente Geraldo Alckmin. A consulta à OMC é o primeiro passo no processo formal de contestação de medidas comerciais. Caso não haja entendimento na fase inicial, o Brasil poderá pedir a instalação de um painel de arbitragem no órgão. Agenda econômica Investidores ainda acompanham a agenda econômica recheada desta semana, com destaque para a ata do Copom. O documento deve trazer novos detalhes sobre as discussões de juros, indicando quais podem ser os próximos passos das taxas diante dos possíveis efeitos do tarifaço. O Caged, divulgado hoje pelo Ministério do Trabalho e do Emprego, apontou a criação de 166,6 mil empregos formais em junho, uma queda de 19,2% em comparação ao mesmo mês de 2024. Esse também é o pior resultado para o mês desde 2023. O boletim Focus, do Banco Central (BC) — relatório que reúne as projeções dos principais economistas do mercado financeiro — indicou que houve uma nova redução da estimativa de inflação para este ano. A estimativa para 2026 também recuou. A estimativa de inflação para 2025 caiu de 5,09% para 5,07%, ainda bem acima do teto da meta, que é de 4,5%. Para 2026, a projeção recuou de 4,44% para 4,43%. Para 2027, a expectativa foi mantida em 4%. Para 2028, a previsão permaneceu em 3,80%. Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025. Tatan Syuflana/ AP